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CRONICA

 

      MEMÓRIAS DE UM NEGRO
                                                     Por Maryleiva Gomes*
 

Um dia separaram-nos em dois grupos e nos fizeram acreditar que éramos diferentes.

Guerreamos! Perdemos.

Daí fomos vendidos (ou trocados, não sei) por quinquilharias.

Aonde estava o meu valor?

Fui as mãos e os pés do engenho, da lavoura, da mineração, da casa e do eito; porém, acorrentaram meus pés e minhas mãos.

Produzi lucros. Nunca os fiz pra mim.

Porque me açoitaram tanto?

Minha alimentação? Comi o resto. Aquilo que sobra na panela e você dá ao seu cão, era quase sempre o que tinha pra eu comer.

Vi meus irmãos morrendo em navios. Vi minha mãe sendo punida. Por seu menor esforço, a espancaram. Vi meu pai cair morto após tantas horas de trabalho.

Fui traficado como droga...

Capturado como animal...

Disseram que eu não tinha alma.

Eles é que não tinham, pois, se a tivessem, não fariam sofrer tanto.

Passei por todo o tipo de humilhação!

Mais tarde, libertaram “meu” ventre...

Após, libertaram meus avós...

Enfim, libertaram-me do cativeiro, do cheiro podre da morte nos navios, dos chicotes, das marcações a ferro em brasa em meu peito e rosto, das queimaduras feitas nos meus lábios, dos que cortavam minhas orelhas e nariz, do tronco, do viramundo e da mordaça, da corrente, da gargalheira e dos anjinhos...

Porque não me livraram do medo, do pré-conceito, do racismo?

Sou liberto! Mas não me deixaram integrar-me à sociedade.

Sou pobre. Não tenho educação nem trabalho.

Sou ex-escravo e me vejo só na luta pela sobrevivência, beirando a marginalidade social.

Sou eterno escravo do que eles pensam da minha cor, mas e daí?!

Fui moço e quis sonhar como tantos, porém não tive tempo; estava ocupado trabalhando para um tal Senhor de Engenho. Agora estou velho, sou escravo livre. Um livre escravo da discriminação.

Sou negro, Negro, NEGRO e não me importam o que pensam de minha cor; me orgulho dela e de sua importância para esse país que pouco se importou com minha dor.

Desenvolvi, no entanto, não fui desenvolvido.

Morrerei!

Terei orgulho em morrer negro. E, se pudesse escolher, nasceria NEGRO de novo.

*Maryleiva Gomes:  Coordenadora do Movimento Pré-vestibular para Negros e Carentes Núcleo Cabuçu
Contatos: organizador do site
 

 

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